Brasil é o terceiro país no mundo em novos casos de Diabetes em crianças e adolescentes

Doença cresce, principalmente, em virtude do sobrepeso, má alimentação e sedentarismo. Atualmente, um em cada dois pacientes desconhece estar doente.

O Brasil é o terceiro país no mundo em novos casos de diabetes em crianças e adolescentes com idade entre zero e 14 anos. Os dados são da International Diabetes Federation (IDF), divulgados na última semana, que evidenciam que o país é superado apenas pela índia e Estados Unidos. Quando o recorte é a doença em adultos, o Brasil cai para a quinta posição, com 15,1 milhões de pessoas com diabetes. A estimativa é de que o país tenha mais de 3 milhões de novos casos até 2030, segundo o estudo. Atualmente, são mais de 463 milhões de diabéticos no mundo.

O Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou pela resistência à ação da insulina – hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo – e pode afetar tanto adultos quanto crianças. De acordo com o diretor médico da Unimed Laboratório Mauro Scharf, especialista em endocrinologia, existe mais de um tipo de Diabetes. “O tipo 1 ainda não tem cura, mas tem controle e ferramentas cada vez melhores para garantir uma excelente qualidade de vida ao paciente. No caso das crianças, existem fatores genéticos e ambientais que podem desencadear uma resposta imunológica, gerando a doença”, explica.

É importante lembrar que as altas taxas de glicose podem levar a complicações, que podem ser agudas ou crônicas.  Entre as agudas mais frequentes estão as hipoglicemias e o coma diabético, ou cetoacidose. Já as crônicas são as doenças no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, a doença pode levar à morte. Ainda segundo o especialista, o Diabetes tipo 1 afeta principalmente crianças e adolescentes. “No caso das crianças, o cenário pode ser ainda mais grave, especialmente nas abaixo de seis anos”, lembra.

Segundo Scharf, é importante que os pais e responsáveis aprendam a reconhecer os primeiros sintomas nos filhos. “O primeiro indicativo pode ser a vontade frequente de urinar, fome e sede excessivas, emagrecimento além do normal, fraqueza, fadiga, nervosismo, mudanças de humor e náuseas”. Mas o que fazer após identificar os sintomas?

Ao desconfiar de que a criança está com algum dos sintomas descritos, é fundamental procurar auxílio médico para investigar a existência desta ou de outras doenças. “Exames laboratoriais, como a dosagem da glicose, hemoglobina glicada, entre outros, são essenciais para, junto com o quadro cínico, a anamnese e o exame físico, chegarmos ao diagnóstico”, destaca o diretor médico da Unimed Laboratório.

No caso das crianças, embora a doença não tenha cura, é possível ter excelente qualidade de vida, desde que se atendam todos os cuidados necessários. “As crianças costumam passar a maior parte do tempo com outras crianças, mas a rotina precisa ser sutilmente ajustada para que ela tenha uma vida normal”. Pacientes com Diabetes devem manter uma alimentação saudável e rica em fibras. As crianças e seus familiares devem ficar atentos a contagem de carboidratos, pois isso permite que não deixem de participar de festas e eventos. Basta orientação e ajustes à dieta”, reforça Mauro Scharf.

Ele ainda lembra que o responsável pela criança deve fornecer o máximo de informação sobre a doença para a escola e colegas, evitando assim muitos problemas, especialmente os relacionados à hipoglicemia – distúrbio provocado pela baixa concentração de glicose no sangue. Vale ressaltar que, com cautela, cuidado e atenção, não existe nenhuma atividade proibida para a criança que tem Diabetes.

Outro tipo da doença é o Diabetes tipo 2. Atualmente, 30% das crianças e adolescentes brasileiras estão com sobrepeso, o que contribuiu para o crescimento dos casos da doença no país. Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos 12 anos, a doença apresentou um crescimento de 40%. Para especialistas, o Diabetes tipo 2 , especialmente o do jovem, está diretamente relacionado à predisposição genética e também ao sedentarismo e à obesidade – o sobrepeso traz resistência à insulina que, a longo prazo, pode desencadear a doença.

A OMS recomenda o consumo máximo diário de 12 colheres de açúcar. Segundo o Ministério da Saúde, o brasileiro consome 18. O médico explica que este não é o único alerta. “No Brasil, o consumo de alimentos ultra processados, aqueles com baixo valor nutricional e ricos em gorduras, sódio e açúcares, vem crescendo. Acompanhando a ingestão, as taxas de sobrepeso e obesidade também aumentaram consideravelmente”. Hoje, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos possui excesso de peso. Já entre os adolescentes, 17% estão com sobrepeso e 8,4% são obesos.

Para as famílias que acabaram de descobrir a doença, o especialista sugere muito carinho, amor, acolhimento e o acompanhamento médico imediato, pois com um bom tratamento é possível que o paciente siga sua vida com felicidade e realizações.


Texto elaborado em parceria com NQM comunicação

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