Criação com apego

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A criação com apego ou Attachment Parenting é basicamente criar os filhos de uma maneira empática, criando fortes vínculos com a criança e colocando suas necessidades em primeiro lugar de uma maneira consistente e amorosa. O que não quer dizer mimar a criança fazendo todas as suas vontades.

O termo criação com apego surgiu de diversos estudos por psicólogos e neurocientistas. E revelaram que, quando os bebês nascem possuem fortes necessidades de serem alimentados e de manter contato físico com a mãe, pai ou com seu cuidador.

Ao se atender às necessidades da criança contribui-se positivamente para o seu desenvolvimento físico, emocional e neurológico.

Entenda que quando um bebê nasce é preciso se doar para esta função, tanto emocionalmente como fisicamente, tentando sempre enxergar pela perspectiva dessa criança que procura em você somente uma coisa: sobrevivência.

Para eles existe uma forte necessidade de criar um vínculo, de ter um porto seguro. Este é o motivo dos bebês chorarem, esta é a maneira que conseguem obter contato físico e sucção por parte da mãe.

Quanto mais segura a criança se sente durante o seu crescimento, melhor será o seu desenvolvimento consigo mesma e com o mundo.

Com o objetivo de ajudar os pais no desenvolvimento dos filhos a Attachment Parenting International (API) criou  os 8 princípios da criação com apego:

1. PREPARANDO PARA A GESTAÇÃO, NASCIMENTO E CRIAÇÃO

Já na gravidez começa a criação com afeto
Já na gravidez começa a criação com afeto

Como a gravidez é o começo de tudo, é uma parte importantíssima na criação com apego, é o ponto de partida na criação de um forte vínculo com o seu bebê.

Por isso, é importante buscar ajuda e muita informação nesta fase. Planeje qual o tipo de parto desejado, lembrando que o parto natural traz inúmeras vantagens para a saúde da mamãe e do bebê. E não esqueça de registrar todas as sua vontades, informando aos profissionais e hospital que te acompanharão.

Procure estudar sobre amamentação e sobre os primeiros cuidados com o recém-nascido.

E não esqueça de manter seu parceiro informado quanto às suas vontades, fazendo com que ele também participe das principais decisões.

2. ALIMENTANDO COM AMOR E RESPEITO

Amamentação na criação com afeto
A amamentação é grande fonte de afeto aos bebês

Durante a alimentação é possível se construir fortes vínculos que serão carregados para a vida toda.

A amamentação traz um vínculo muito forte entre mamãe e bebê, satisfazendo suas necessidades nutricionais, emocionais e imunológicas. Por isso, a recomendação é que se faça a escolha da livre demanda, ou seja, sempre que o bebê quiser.

A amamentação prolongada, além dos benefícios já citados, traz segurança, conforto e atende às necessidades de sucção do bebê.

Por este motivo recomenda-se que seja evitado o uso de bicos artificiais, principalmente no início da amamentação. Podendo causar a confusão de bicos, prejudicando a amamentação e até provocando um desmame precoce.

Mas caso você precise desmamá-lo antes do tempo aconselhado, faça de uma maneira gentil, sem causar sofrimento para o bebê.

O mesmo vale para a introdução alimentar, que deve ser feita quando o bebê estiver dando sinais de que está pronto, deixando-o comer a quantidade desejada. Sem forçar a criança a comer, ela deve desenvolver o seu paladar.

Alimentar com amor e respeito também significa usar os momentos de refeição para unir a família.

3. RESPONDENDO COM SENSIBILIDADE

Os bebês necessitam de vínculos fortes para se sentirem seguros
Os bebês necessitam de vínculos fortes para se sentirem seguros

A questão aqui é quanto a sensibilidade ao se responder às necessidades do bebê. Essa resposta é a base de um vínculo de apego seguro, é aqui que entra a empatia e a compaixão.

Sendo muitas vezes confundido com: mimar o bebê. Mas a verdade é que quando nasce, o cérebro do bebê é muito imaturo e subdesenvolvido, e é por isso que para ele existe uma dificuldade em se acalmar ou dormir sozinho.

Entenda que, bebês querem contato físico constante e se sentem seguros quando estão no colo. Quando você deixa um bebê chorando durante muito tempo e com frequência, só porque não quer mimá-lo, faz com que o seu cérebro atinja altos níveis de stress, podendo causar problemas físicos e emocionais a longo prazo.

Desde os primórdios o choro do bebê é a maneira que ele usa para se comunicar com o mundo, por isso não deve ser ignorada.

Assim como, as conhecidas “birras” ou explosões de raiva, que representam emoções que esta criança está sentindo e precisam ser consideradas. É nesse processo de raiva que os pais precisam confortar o filho, ao invés de brigar com ele.

4. USANDO O CONTATO AFETIVO

O uso do sling é uma maneira eficaz de manter contato físico com o bebê
O uso do sling é uma maneira eficaz de manter contato físico com o bebê

O contato afetivo com o bebê estimula os hormônios de crescimento, melhorando o desenvolvimento intelectual e motor, também ajuda a regular a temperatura do corpo, batimentos cardíacos e estabelece padrões de sono. Bebês que recebem mais contato afetivo ganham peso mais rápido, mamam melhor, e choram menos.

Uma maneira de usar o contato afetivo é o uso do sling que garante ao bebê proximidade ao corpo da mãe ou do pai. Porém, existem outros momentos em que podemos garantir o contato afetivo ao bebê, como durante a amamentação e banho que oferecem oportunidades para se ter um contato pele a pele.

Mesmo crianças mais velhas também precisam deste contato, por isso dê muito abraço, aconchego e carinho.

Outra boa maneira é utilizar de brincadeiras e jogos que encorajem a proximidade física.

5. GARANTINDO UM SONO SEGURO, FÍSICA E EMOCIONALMENTE

O sono deve ser algo bom e não traumático
O sono deve ser algo bom e não traumático para a criança

Você acha que seu bebê precisa dormir a noite toda? Saiba que isso é um grande mito que só gera ansiedade e frustração entre os pais. Os bebês não dormem a noite inteira por uma questão de pura sobrevivência.

Os bebês precisam sentir-se seguros durante a noite também, por isso muitos acordam várias vezes durante a noite, já outros podem dormir por longos períodos de tempo, mas como não existe uma regra não existe o certo e errado nessa situação.

E dependendo da fase que o seu filho está passando, dentição, doença, saltos de crescimento, picos de desenvolvimento ou até pesadelos, pode haver mudança no comportamento do sono.

Outro ponto é que os bebês são bem sensíveis ao stress de seus pais, o que também pode afetar seus padrões de sono.

Portanto, dentro da criação com apego, as técnicas de sono que negligenciam as necessidades do bebê, deixando-o chorar até cair no sono, são extremamente prejudiciais. Técnicas deste tipo ensinam ao bebê que quando anoitece seus pais não cuidarão dele, podendo tornar este momento como algo ruim ao invés de ensinar a eles que o sono é um momento bom e agradável.

O termo Cosleeping é utilizado para os casos de cama compartilhada, ou no caso de bebês que dormem em berço acoplado ou moisés, no mesmo quarto que os pais.

E cada vez mais, estudos mostram que a cama compartilhada, desde que praticada por pais informados, é segura e benéfica ao bebê. Um exemplo é, pais que fazem prática do Cosleeping diminuem o risco da Síndrome de Morte Súbita Infantil.

E não se preocupe quanto a ter seu filho em sua cama, quando a hora certa chegar ele fará a transição para a sua própria cama, mas faça isso de maneira gentil e tranquila.

6. PROVENDO CUIDADO CONSISTENTE E AMOROSO

Uma nova rotina deve ser estabelecida com a inclusão da criança na família
Uma nova rotina deve ser estabelecida com a inclusão da criança na família

Neste princípio muitas mães, quando voltam ao trabalho acabam sentindo remorso e acham que por este motivo não podem criar com apego estando longe de seus filhos. Mas não é verdade, até porque todos sabemos que a realidade da maioria das famílias não é a idealizada.

O importante é que os pais saibam que o cuidado diário e as interações amorosas são responsáveis por construir fortes laços afetivos. E se o bebê recebe cuidado e amor desde que nasce, esse vínculo se fortalece. Por isso, a volta ao trabalho pode ser facilmente adequada com novas rotinas que incluam o bebê, como por exemplo, praticar exercícios como caminhadas com o bebê no sling, levar um cuidador de confiança em noites longas ou em eventos especiais.

Quando houver necessidade de separações curtas use um cuidador de confiança, para que o bebê tenha seus sentimentos respeitados. E no retorno é muito importante que os pais dediquem um tempo para se reconectar com seus filhos.

7. PRATICANDO A DISCIPLINA POSITIVA

A disciplina positiva não deve trazer medo aos filhos
A disciplina positiva não deve trazer medo aos filhos

A disciplina positiva, apesar de desafiadora é um dos princípios mais libertadores e recompensadores dentro da criação com apego. A principal regra aqui é a Empatia, ou seja, se colocar no lugar da criança tratando-a da maneira como nós gostaríamos de ser tratados.

A disciplina positiva não deve impôr medo nos filhos, o medo cria sentimentos de vergonha e humilhação que aumenta as chances de um comportamento anti-social no futuro. O importante é que os pais ensinem ao bebê como explorar o mundo com segurança, vendo através dos seu olhos.

O mesmo vale sobre bater ou aplicar técnicas de disciplina física que podem criar problemas emocionais e comportamentais no futuro.

8. MANTENDO O EQUILÍBRIO ENTRE A VIDA PESSOAL E FAMILIAR

O equilíbrio entre vida pessoa e profissional é fundamental para a criação com apego
O equilíbrio entre vida pessoa e profissional é fundamental para a criação com apego

Infelizmente este é princípio mais difícil, já que geralmente estamos sempre tão preocupados com os nossos trabalhos e problemas que esquecemos de equilibrar nossas vidas.

O mundo real infelizmente é muito diferente do mundo real, e nem sempre nossas necessidades serão reconhecidas, valorizadas ou atendidas. Por este motivo é importante lembrar que as necessidades de todos da família são importantes, e que precisam ser atendidas quando possível.

Quando existe um equilíbrio dentro da família, melhor o controle emocional desta família.

As necessidades dos filhos são prioridade dentro da família, principalmente enquanto bebês que as necessidades são mais urgentes. Entretanto, ele faz parte da família como um todo, e isso inclui às necessidades dos pais (como indivíduos e como casal), além dos seus irmãos.

O importante é aproveitar os momentos e aceitar que ter filhos muda a sua vida completamente. Porém não deixe de seguir seus objetivos. Dê valor as coisas que realmente importam e não tenha medo de dizer não. Busque ajuda se necessário para descansar, tirar a sobrecarga ou conseguir conciliar a vida de casal. Tente encontrar outros casais que pratiquem a criação com apego. E lembre-se sempre dos mantras “vai passar” e “é apenas uma fase”

 

Fonte: Attachment Parenting International

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