Especialista destaca cuidados com gestantes, puérperas e recém-nascidos durante a pandemia

Maio é tradicionalmente o mês das mães. E em meio à pandemia provocada pelo novo coronavírus, as gestantes, puérperas e recém-nascidos precisam de cuidados especiais para evitar a contaminação pela COVID-19.

Segundo dados do UNICEF, 116 milhões de bebês nascerão sob uma nova rotina, sendo 23 milhões no Brasil. São mamães e bebês que viverão uma nova realidade, que inclui o isolamento ou distanciamento social, uso de máscaras, além de outras medidas para a contenção da doença.

Desde o mês de Abril, gestantes e puérperas são consideradas como grupo de risco para o COVID-19

Embora não existam estudos suficientes que sugiram maior ou menor contaminação em gestantes, a médica especialista em pediatria da Unimed Laboratório, Stela Erika Kudo, reforça que é essencial manter as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para se proteger da exposição ao vírus. “As gestantes estão no grupo de risco, ou seja, precisam cuidar para que não haja contaminação e, principalmente, intercorrências mais graves que possam afetar a ela ou ao bebê”, explica.

E as recomendações da OMS são seguidas à risca pela relações públicas Franciele Cirino, que está no sétimo mês de gestação. “O isolamento social nesse momento da gravidez é complicado, pois é exatamente quando desejamos ter o apoio da nossa família e amigos. Porém, para a minha proteção e da minha filha estamos em quarentena até o nascimento dela, previsto para o fim de julho”, conta.

Num contexto de isolamento e distanciamento social, as consultas e exames devem ser mantidas durante o período gestacional, mas respeitando às novas regras, que incluem a dispensa do acompanhante, uso de máscaras e atenção a quaisquer sintoma de gripe, resfriado ou febre. “O ideal é que as futuras mamães saiam de casa o mínimo possível, reduzindo os riscos. Porém, é fundamental que sigam o protocolo do pré-natal, alinhado juntamente com o especialista que acompanha a gestação. Ao frequentar clínicas, consultórios ou hospitais, é essencial conhecer e atender às exigências”, destaca Stela.

Há dois meses trabalhando em home office, Franciele diz sair apenas nos dias em que tem consulta ou exame agendados. “Nessas ocasiões, ao chegar em casa tiro toda a roupa da rua e vou direto tomar banho. Meu marido também está trabalhando em casa, sai apenas para ir ao supermercado ou farmácia. Quando ele chega com produtos da rua, higienizamos tudo antes de guardar”.

A escolha do hospital ou maternidade

No que diz respeito à escolha do hospital ou maternidade, a médica diz o local escolhido deve seguir as recomendações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), “É possível manter o local escolhido ou pré-selecionado antes mesmo da pandemia, desde que ele tenha uma equipe assistencial qualificada, equipamentos adequados, disponibilidade de laboratório e exames de imagem, banco de sangue, leito de isolamento e UTI neonatal e/ou de adulto. Plano de contingência e protocolos de triagem para COVID-19 também devem ser observados”.

A filha da Franciele virá ao mundo pelas mãos do médico que a acompanha desde o início do pré-natal, também responsável por transmitir segurança nesse momento delicado e por ajudar na escolher a maternidade. “Optei por um local que seja apenas maternidade, pois entendo que o risco de contaminação por COVID-19 nesse tipo de estabelecimento é menor do que em um Hospital e Maternidade”.

Superada esta etapa, após o parto, a agora mamãe pode (e deve) preservar o aleitamento materno, pois até o momento não há evidências de transmissão através do leite materno. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os raros casos de recém- nascidos filhos de gestantes com COVID-19 não demonstraram aquisição de infecção pela doença. Porém, caso a mãe esteja com o novo coronavírus, a amamentação deve acontecer com uso de máscara e com toda a higienização necessária, principalmente das mãos.

Com a alta hospitalar, é importante atentar a alguns cuidados em casa para a saúde e bem-estar tanto dos bebês quanto das puérperas. “As famílias devem optar pelo isolamento social, suspendendo visitas para evitar contato com pessoas doentes, manter os ambientes bem ventilados com janelas abertas, evitar viagens e usar máscara ao apresentar qualquer sintoma gripal”, reforça a especialista da Unimed Laboratório, lembrando que as videochamadas são uma alternativa às visitas e encontros presenciais para a apresentação do bebê.

Os recém-nascidos também precisam ficar isolados, prezando-se por sua saúde neste comecinho de suas vidas.

As incertezas do parto e pós-parto são constantes, pois além de toda novidade da maternidade em si, ainda é preciso lidar com a propagação do coronavírus. “Acredito que até o nascimento da minha filha ainda não teremos solução para a COVID-19, então já estou preparando amigos e familiares de que o acesso a mim e a minha filha serão restritos nesse início do nascimento dela, sempre pensando na nossa segurança”, comenta Franciele.

E se o objetivo é a prevenção, as imunizações devem ser mantidas, seguindo o calendário do Ministério da Saúde. No que diz respeito às consultas pediátricas, a pediatras lembra que, “embora exista uma recomendação geral de adiar as eletivas, os pais devem conversar diretamente com o médico para verificar qual o melhor momento de realizá-las, uma vez que ele é o único que pode fazer esta avaliação”.

Por fim, Stela Kudo reforça que o período é de cuidado e cautela, mas não de pânico. “Ainda que a pandemia seja permeada de incertezas e preocupações, o foco deve ser mantido no lado positivo, na realização de sonhos e de um novo mundo: a maternidade”.

Minha experiência

Eu, particularmente, fiquei muito nervosa quando a Pandemia chegou e acabamos ficando isolados em casa. Estava no meio da minha gestação e com um filho de 3 anos que faz parte do grupo de risco (com hipertensão, problemas renais e asma), chorei por medo e pela incerteza do que estaria por vir.

Mas infelizmente não temos como controlar o cenário atual, e daqui algumas semanas nossa filha chega ao mundo. Por isso, também tomei algumas decisões já pensando na proteção de toda a nossa família.

Nossa bebê Aurora

Ao invés de optar pelo mesmo hospital e Maternidade onde tive meu primeiro filho, a opção agora é uma Maternidade. Conversei muito com meu obstetra sobre isso, e entendemos que assim o risco será menor.

Nas maternidades estão proibidas visitas, então estaremos isolados com a bebê, e assim que voltarmos para casa também não iremos receber nenhuma visita. Este é o momento em que todos precisam nos respeitar e entender a nossa vontade.

A única pessoa que estará aqui para nos ajudar, será minha mãe que já está em isolamento fazem 60 dias.

E vamos aguardar tudo voltar ao normal, com muito cuidado, zelo e amor.

Texto elaborado em parceria com NQM comunicação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *