Relato materno Juliana Rebeyka

on

Hoje vamos compartilhar o relato materno da Juliana, uma Curitibana que atualmente mora na Escócia com seu esposo Maurilio e sua filha Beatrice Helena de 1 ano e 4 meses.

Neste texto ela divide conosco um pouco mais sobre a sua gravidez e nascimento da filha, além dos desafios maternos morando em outro país.

Relato Materno - Juliana Rebeyka

Como é o pré-natal onde você mora?

Meu pré-natal e parto foram realizados no sistema público de saúde, NHS (National Health Service), as consultas de pré-natal aqui geralmente são realizadas pelas midwives, que são enfermeiras especializadas em gestação, parto, pós-parto e cuidados com recém-nascidos. A minha primeira consulta aconteceu com 8 semanas de gestação, e a primeira ecografia com 12 semanas, o sistema público  oferece apenas 2 ecografias e não é informado o sexo do bebê. No caso, precisei realizar uma ecografia particular para descobrir, eu e meu marido estávamos muito curiosos para esperar até o nascimento da bebê.

Na segunda consulta recebi uma espécie de fichário com todas as informações e histórico do meu pré-natal até então, e toda consulta eu deveria levá-lo para ser atualizado com novas informações. Neste mesmo dia ganhei vários materiais sobre amamentação, gestação e o primeiro ano do bebê, o que  ajudou bastante a nos preparar para a aventura que estava só começando.

Relato Materno - Juliana Rebeyka

E como foi a sua gravidez morando fora do Brasil?

A gestação foi super tranquila, mas no final, com 39 semanas a midwife constatou que a minha barriga estava muito grande, fiz outra ecografia e consultei pela primeira vez em toda gestação com uma obstetra. Minha bolsa estava com muito líquido amniótico, e por este motivo a obstetra indicou que o melhor caminho era induzir o parto, que acabou em uma cesárea de emergência, pois minha bebê estava com prolapso de cordão e cada vez que havia uma contração os batimentos cardíacos dela diminuíam.

Logo após o nascimento, a Beatrice foi direto para o colo do pai e eu dormi por causa da anestesia. Quando acordei vi ele sentado ao meu lado com ela nos braços, foi a melhor sensação do mundo, inexplicável.

Durante o procedimento a obstetra observou que meu ovário direito estava grande e tomado de microcistos, uma especialista atestou que seria necessário a retirada total do ovário e assim foi feito. Porém todo esse tempo minha filha e meu marido ficaram na sala de cirurgia junto comigo, na verdade após nascimento ela não saiu de perto de nós nem por um minuto.

Relato Materno - Juliana Rebeyka

Sobre o seu pós-parto, como foram os primeiros meses?

Nos primeiros 10 dias em casa recebemos a visita da agente da saúde, ela avaliava a bebê, a minha recuperação, nos dava suporte. E o que mais me impressionou foi o cuidado com a saúde mental dos pais, especialmente da mãe, principalmente com baby blues e depressão pós-parto. Passando-se os primeiros 10 dias as visitas passaram a ser esporádicas.

Todo o desenvolvimento do bebê é acompanhado pela agente de saúde e nos postos tem a baby clinic, onde pesam o bebê e tiram algumas dúvidas. Não temos consultas mensais com pediatras igual ao Brasil, se a bebê ficar doente ou tivermos desconfiados de que algo não está correto, primeiramente temos que agendar uma consulta com o clínico geral e após a avaliação ele encaminhará para o pediatra ou especialista necessário.

Aqui não conhecemos muito gente e não temos nenhuma rede de apoio, mas minha mãe conseguiu vir e ficou conosco por 3 meses, o que nos ajudou demais, meu marido na época trabalhava só em casa, o que foi um grande alívio também. A Beatrice dormia pouco e passava várias horas no peito, então eles faziam todo o resto, e me deram todo suporte necessário.

Os meses foram passando e a Beatrice sempre acordando muito durante a madrugada, quando ela estava com 5 meses eu estava exausta, meu marido trocou de emprego e começou a trabalhar todos os dias no escritório, enquanto eu ficava em casa cuidando da bebê – E eu me sentia muito cansada – Optamos então pela cama compartilhada, o que foi um divisor de águas em nossas vidas, passamos a dormir melhor, e eu fiquei muito mais disposta durante o dia.

Relato Materno - Juliana Rebeyka

Morar longe da família sendo mãe de primeira viagem, com certeza é desafiador. Conta pra gente um pouco sobre a sua experiência e os desafios.

Tem sido uma aventura, temos poucos amigos aqui, nenhuma rede apoio, é só nós 3, eu fico em casa com a bebê , meu marido trabalha fora e nós dividimos nas tarefas domésticas, ultimamente compras online tem nos poupado muito tempo.

Mas é super complicado viver longe da família e amigos, sempre estou mandando vídeo, fotos e Skype, não é a mesma coisa. Sinto falta do contato, da presença, às vezes me questiono sobre criar ela longe dos avós e primos, mas ao mesmo tempo penso na qualidade de vida que temos aqui, as oportunidades e no futuro dela, não é fácil. Mas tentamos pensar a longo prazo, e que apesar da distância o amor e as afinidades serão construídos.

Relato Materno - Juliana Rebeyka


Ser mãe, independente de onde você mora, nos mostra que não existe manual de instrução. A gente age por instinto, podendo errar ou acertar, mas o importante é saber que estamos fazendo o nosso melhor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *